segunda-feira, 8 de Fevereiro de 2010

Anti-something



Saí do cinema sem saber ao certo se tinha gostado.
Costuma acontecer-me com os filmes que me fazem pensar.


Há cenas ridículas e desnecessárias.
Sem levantar demasiado o véu, pareceu-me desnecessária a exposição dos órgãos genitais dos senhores nos primeiros minutos do filme, em plena acção, e muito ridícula a fala atribuída a uma raposa.


É violento, física e psicologicamente.
Mas, ao contrário de boa parte das críticas, não o encarei como uma perspectiva misógina.

Achei, isso sim, que era uma equação atroz acerca da forma como as mulheres encaram a dor e o sofrimento trazidos pelas coisas más que lhes aparecem no caminho e a visão da sua própria maldade - e, no fundo, da maldade da natureza humana! -, enquanto causa e efeito de alguma retribuição, menos divina e assexuada do que aquilo que comummente se representa, em termos colectivos, como Bem e Mal.

Fez-me pensar.
Acerca de muitas coisas.
Fez-me interpretar.
Trocar ideias acerca de outras tantas coisas.
E essas são coisas óptimas.

Quer se goste ou deteste.

quinta-feira, 4 de Fevereiro de 2010

Dó de meter dó

As minhas passagens de dó a ré - e de ré a dó, a bem dizer! - são de meter dó!

Estou à espera que me dê uma fúria teimosa.
E que, de tanto praticar, consiga acabar a fazer estas passagens com alguma leveza e sem os nós dos dedos brancos.

É isso, e tentar não deixar cair a minha bela flauta transversal, estrondosamente, no chão, durante os exercícios.

Ah, e já agora, colocar um mecanismo de distribuição gratuita de tampões de silicone para os ouvidos à entrada do prédio.
Resta-me esperar que a boa vizinhança, não se torne, à custa de umas passagens teimosas de dó para ré, em má - e pior do que isso: surda! - vizinhança...

A ver vamos!

domingo, 31 de Janeiro de 2010

Mais um filme inspirado num poema...




Não é um dos filmes magníficos a que o Clint Eastwood nos habituou, isso é certo.
Mas vê-se muito bem.

Como sempre, a realização, a direcção de actores e as interpretações são óptimas.

Gostei.
Especialmente porque me senti regressar à minha infância, quando via os jogos de rugby do Torneio das Cinco Nações, na tv, sentada ao colo do meu avô materno.
Que me explicava as regras todas do jogo, aquelas de que apenas tenho agora uma vaga ideia.

Nem que fosse só por isso, foi bom.

Invictus



Out of the night that covers me,
Black as the Pit from pole to pole,
I thank whatever gods may be
For my unconquerable soul.

In the fell clutch of circumstance
I have not winced nor cried aloud.
Under the bludgeonings of chance
My head is bloody, but unbowed.

Beyond this place of wrath and tears
Looms but the Horror of the shade,
And yet the menace of the years
Finds, and shall find, me unafraid.

It matters not how strait the gate,
How charged with punishments the scroll,
I am the master of my fate:
I am the captain of my soul.




William Ernest Henley

(1849 - 1903)

Foi assim...




...divertido e proveitoso!

Pelo meio de aumentos por laçada, de barra, intercalares e levantados, ora à direita, ora à esquerda, e diminuições por malhas acavaladas e tricotadas juntas, houve momentos em que se instalou a confusão...mas nada que a Joana, a nossa mestra da Ovelha Negra, não conseguisse esclarecer e emendar!!!

Foi giro!
Agora, toca a arranjar tempo para aplicar os ensinamentos... :))

sábado, 30 de Janeiro de 2010

E agora...

...é hora do tricot.

Na Ovelha Negra.

Já conto e ilustro como foi.
Até já!

Superprodução, sim, mas não me convenceu...


AVATAR é uma superprodução, recheada de efeitos especiais de último grito.
E está tudo dito.

De resto, a história nada tem de original.
Basta ver que as preocupações ecológicas e o resumo da exploração dos recursos naturais do povo Na'vi seguem uma linha demasiado simplista, para não dizer - quase! - simplória...

As interpretações dos actores também não são nada de especial.
Nem uma Sigourney Weaver, um pouco pesada e amorfa, consegue salvar as interpretações.

E o argumento, com efeito, não convence.
Há partes que parecem uma colagem mal disfarçada ao enredo do Senhor dos Anéis, tanto na secção da preocupação ecológica como no momento do chamamento das tribos para a guerra.

E o final, então, além de por demais previsível, pareceu-me demasiado naïf e sem garra, digno de um filme de animação para crianças, dentro do género 'Príncipe do Egipto' (não que eu tenha alguma coisa contra filmes de animação, entre os quais o 'Príncipe do Egipto'...! Bem pelo contrário: gosto muito até...).

No fundo, o filme lembrou-me o velho brocardo 'Cantas bem mas não me alegras...!'.

sexta-feira, 29 de Janeiro de 2010

O ano do pensamento mágico


Peça escrita por Joan Didion e que se baseia nas suas próprias memórias, especialmente nos sentimentos que a avassalaram durante o ano que se seguiu à perda do marido, enquanto a filha se encontrava nos cuidados intensivos, com uma infecção generalizada.

É a tradução em palavras - muito bem ditas, por sinal, por Eunice Muñoz! - do sentimento de perda de alguém querido.

Vale a pena.

Primeiro, porque está bem feita e bem encenada - pelo Diogo Infante.
Depois, porque é uma das últimas oportunidades - ela própria o disse! - de ver uma actuação da Eunice Muñoz.
Por último, porque o texto é interessante na forma como se expõe.

Está no Teatro Nacional São João.
Até 31 de Janeiro.

quarta-feira, 27 de Janeiro de 2010

Temo o pior...!!!

Ontem dancei até à uma da manhã.

Só vim embora porque a voz da minha consciência - abafada pelo som das mazurkas, valsas lentas e danças israelitas e lituanas, and so on... - foi despertada pela - quase! - culpa de a Dançaólica n.º 2 ter olhado para o relógio e ter dito que, se calhar, era hora de ir embora.

E foi com muita muita pena e não menos dificuldade que resisti ao convite do Dançaólico n.º 1 para não vir embora e ficar a dançar noite fora.

Hoje, ouvi Beirut aqui e comecei a dançar sozinha no gabinete, com um par imaginário...mas que, concerteza, dançava divinalmente.

E este post deriva do mero facto de estar a fazer horas para ir para a minha aula de dança.

Definitivamente, é de temer o pior: acho que estou a tornar-me dançaólica...!!!

segunda-feira, 25 de Janeiro de 2010

Tarde de sol e de inverno em Serralves


Depois do simpático almoço na esplanada,

Veio a hora dos objectos estranhos.


E da exposição de Augusto Alves da Silva, que é interessante.
Já ao resto das exposições, não achei tanta graça.



Mas o passeio vale sempre a pena.


E com o belo sol de inverno que estava...



foi mesmo bom,



andar por lá de câmara fotográfica em riste.




Já há uns tempos que não fazia isso, pelo simples prazer de fotografar.
Unicamente porque sim.



E que bem me soube!
Esta bela tarde de domingo.

sábado, 23 de Janeiro de 2010

Bright Star


Bright star! would I were steadfast as thou art—
Not in lone splendour hung aloft the night,
And watching, with eternal lids apart,
Like Nature’s patient sleepless Eremite,
The moving waters at their priestlike task
Of pure ablution round earth’s human shores,
Or gazing on the new soft fallen mask
Of snow upon the mountains and the moors—
No—yet still steadfast, still unchangeable,
Pillow’d upon my fair love’s ripening breast,
To feel for ever its soft fall and swell,
Awake for ever in a sweet unrest,
Still, still to hear her tender-taken breath,
And so live ever—or else swoon to death.
John Keats

Um amor assim...



'Bright Star', de Jane Campion

O filme é visualmente deslumbrante.
Muito bem filmado, com planos excelentes e muito particulares.
As cores são óptimas e da luz, então, o que dizer...?

Gostei muito.
Um filme a que a linguagem poética não é alheia. E que ganha vida nas imagens em que se desenrola.

Muito bonito.

quinta-feira, 21 de Janeiro de 2010

A pergunta do médico

Hoje ouvi os pais de um menino de três anos que iludiu, durante dois fatais minutos, a atenção de ambos e caiu a um pequeno tanque da quinta onde viviam, tanque esse que tinha uns míseros 40 cm de profundidade de água que lhe roubaram a vida em instantes.

Perguntei à mãe se sabia qual o motivo de estar a ser ouvida.
E já nem o nome conseguiu dizer sem ser entre soluços e lágrimas.

O pai contou com todos os pormenores todos os segundos daquele momento e dos que se lhe seguiram.
Como se tivesse necessidade de explicar em voz alta. Como para se convencer de que esta era a realidade.

Perguntou pela causa de morte. E se tinham sido colhidos órgãos para transplante.

Contou-me que o médico lhe comunicou a morte cerebral irreversível do seu filho e lhe perguntou se consentia na colheita de órgãos para transplante.
Que o médico esperava que a reacção dele fosse gritar, chorar, prantear e, quem sabe, agarrá-lo pelos colarinhos e encostá-lo a uma parede.

Contou-me ainda que a sua reacção foi dizer 'que a desgraça da minha família possa fazer outra família feliz!'.
E que a do médico foi entrar na sala onde o seu filho jazia ligado a uma máquina, dar dois murros na parede, dizer três palavrões e perguntar 'Onde diabo estava Deus quando isto aconteceu...?'.

Acabei o auto.
Em silêncio, com os olhos rasos de lágrimas e o queixo a tremer.
E com a pergunta do médico na cabeça, confesso.

segunda-feira, 18 de Janeiro de 2010

O Laço Branco



Palma de Ouro do Festival de Cannes.
Também...só podia: bastava o mero facto de ter o génio que é Jean-Claude Carrière como co-argumentista.

Absolutamente a não perder.

E aqui fica o trailer...



...legendado em inglês, para os 'non germanspeakers', como eu própria. :))

sábado, 16 de Janeiro de 2010

Ainda na onda dançante...



Julian Casablancas - 'Left & Right In The Dark'.

Com ou sem Strokes, era pedir muito trazer este senhor para um concerto cá a este cantinho do mundo...?!?!

quinta-feira, 14 de Janeiro de 2010

Pronto, parece que já se sabe...

...ao que consta, vou ser tia de um menino!!!

Já posso começar a cortar os retalhos para a manta em patchwork...finalmente.

Preciso de me reunir com os meus tecidos, a ver se há uma palette de tons suficientemente alargada, para uma coisa bem bonita.

Afinal de contas, é o meu primeiro sobrinho...
:))

quarta-feira, 13 de Janeiro de 2010

Bem sei que é muito - demasiado, talvez! - 50's...




...e a letra é muito lamentável, de tão plástica, mas dá-me vontade de dançar.
E eu ando com vontade de dançar. :))

The Raveonettes - 'Bang!, do novo álbum 'In and out of control'.

quarta-feira, 6 de Janeiro de 2010

Detesto detesto detesto

...quando o despertador não toca pela manhã!

E acordar estremunhada é do piorio.
E arrasa qualquer início de manhã, por mais sol que esteja.

segunda-feira, 4 de Janeiro de 2010

A música ficou a perder com a partida dela deste mundo...



Why don't you ask me
How long I've been waiting
Set down on the road
With the gunshots exploding
I'm waiting for you
In the gloom and the blazing
I'm waiting for you

I sing like a slave I know
I should know better
I've learned all my lessons
Right down to the letter
And still I go on like this
Year after year
Waiting for miracles
And shaking with fear

Why don't you answer
Why don't you come save me
Show me how to use
All these things
That you gave me
Turn me inside out
So my bones can save me
Turn me inside out

You've come this close
You can come even closer
The gunshots get louder
And the world spins faster
And things just get further
And further apart
The head from the hands
And the hands from the heart

One thing that's true
Is the way that I love him
The earth down below
And the sky up above him
And still I go on like this
Day after day
Still I go on like this

Now I've said this
I already feel stronger
I can't keep waiting for you
Any longer
I need you now
Not someday
When I'm ready
Come down on the road
Come down on the road

My name, my name
Nothing is the same
I won't go back
The way I came

'My name'
Lhasa de Sela