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Purgatório - Tomás Eloy Martínez
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Lembro-me da alegria que senti quando o vi nas prateleiras da livraria que existe no Centro Cultural de Belém. Era um fim de tarde simpático em Lisboa. Fomos dançar e estar com os amigos. Vimos a Colecção Berardo, antes de irmos aos pastéis de Belém, que eu não comi porque - batam-me lá! - não sou apreciadora. Não tem sido muito fácil mas lá vou encontrando os livros dele, traduzidos ou não. Confesso que gostava de os ler em castelhano mas não tenho tido a sorte de encontrar nenhum. Guardei-o ali na estante. Até ter tempo e vontade de o ler de uma assentada. Porque os livros de Tomás Eloy Martínez são saboreados com a volúpia desenfreada do fim. E este é fantástico. Como os outros que li. Tão bem escrito, mas tão bem escrito. Como todos. E o que mais me impressiona é a capacidade deste escritor de vestir a pele de uma mulher. É um mapa que se perde nas recordações e na memória de uma mulher, em plena ditadura militar argentina, com uma teia fa...
Avó
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A MINHA AVÓ ERA UMA MULHER DO CAMPO. Passou a mocidade e a vida adulta a trabalhar no campo, na terra. Chamava-se Joaquina Pulguinhas. A minha avó escrevia cartas muito devagarinho. Com letra tremida, escrevia o nome dos netos nos embrulhos dos presentes. Em casa, viúva, reforma de trinta contos, sozinha, começou a ler livros. Não sei quanto tempo demorava a lê-los, mas sei que os lia com o esforço da atenção, palavra a palavra. Gaivotas em Terra , de David Mourão-Ferreira, foi o livro que a minha avó deixou a meio quando morreu. Na verdade, deixou-o a meio alguns meses antes, quando deixou de reconhecer as pessoas, quando começou a dizer frases sem sentido. Assinalado por um marcador, esse livro permaneceu durante meses sem que ninguém lhe mexesse, ao lado da sua cama. Foi aí que o voltámos a encontrar quando entrámos nessa casa, onde ainda estavam todas as suas coisas, mas onde nunca mais estaria a sua presença. Imagino agora as palavras desses contos a entrarem na minha avó...
Desconsolo
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Foi o que senti quando percebi que faltavam dezasseis páginas do meu livro. Por erro de edição. Ou de impressão. Ou sei lá do quê. As páginas 225 a 240 foram-se. Ainda bem que não foram as últimas. Isso ter-me-ia deixado bem arreliada. Mas, assim, continuei a perceber a história. Não veio grande mal ao mundo. Mas vou ver se arranjo a edição em inglês. Da próxima vez que for a Inglaterra. Só por causa das coisas!
E se houve coisa que me soube bem este domingo...
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...foi ir a uma mazurka clandestina, ao pôr-do-sol, num dos miradouros mais bonitos da cidade: o Passeio das Virtudes. Foi divertido! Em especial, a versão absolutamente genial e de fazer ver a um Diego Cigala, do pingacho. Obrigada a todos que lá estiveram, muito especialmente aos músicos de serviço.
Não há nada que eu deteste mais...
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...do que pessoas que conseguem armar uma discussão feia com pessoas que gostam delas e só lhes querem bem porque estas últimas disseram uma frase sem maldade nenhuma mas que dispara nelas uma reacção agressiva. Como naqueles filmes em que há um assassino adormecido à espera de uma palavra-código que os acorde e os faça disparar. E quanto mais injustificada é a reacção, mais me irrita. À quantidade de anos que lido com estas coisas, já devia estar habituada. Mas não consigo: é mais forte do que eu.
E, daqui a pouco, a ver se não adormeço nisto...!
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