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Bagagem de mão
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i carry your heart with me(i carry it in my heart)i am never without it(anywhere i go you go,my dear;and whatever is done by only me is your doing,my darling) i fear no fate(for you are my fate,my sweet)i want no world(for beautiful you are my world,my true) and it's you are whatever a moon has always meant and whatever a sun will always sing is you here is the deepest secret nobody knows (here is the root of the root and the bud of the bud and the sky of the sky of a tree called life;which grows higher than soul can hope or mind can hide) and this is the wonder that's keeping the stars apart i carry your heart(i carry it in my heart) 'i carry your heart' e.e. cummings
Há em mim
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Há em mim o desejo das tuas mãos inteiras no meu rosto. Não apenas das desatentas e férreas pontas dos dedos com que me queimas. Há em mim o desejo do rasto que as tuas estrelas deixam nos meus olhos. A rasgar a escuridão e o céu que neles se espelha, dia e noite. Há em mim o desejo de preencher o vazio no meu colo. Dos cabelos que as minhas mãos tacteiam sem encontrar, sem vagar. Há em mim o desejo de chuva que trazes nas algibeiras. E que beberei da concha entrelaçadas das tuas mãos.
Blue
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É melancolia? É tristeza? Em que dicionário da língua inglesa? Blue is my color. É o que me apetece sibilar quando passam essa significância. Em livro. Em filme. Porque é. Que me importam os linguistas? Que me importam os fotógrafos, os teóricos? O azul do céu é um efeito da refracção da luz? Até pode ser. So what? Não sei. Não me interessa. O que sei é que é de pó azul tingida a água que me sulca o rosto nas alegrias. Nas melancolias. Que é de etéreo azul a chama que roubo ao céu nas manhãs plenas de inverno para encher de frio os pulmões. Que me corre nas veias aos soluços. E aos tropeções. E que só de azul posso ser eu. Pois se é dessa cor que os meus olhos te enchem quando se abrem para ti.
E, para sobremesa à prova de melancolia, sugiro...
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Porque, como disse Vinicius de Moraes:
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A maior solidão é a do ser que não ama. A maior solidão é a dor do ser que se ausenta, que se defende, que se fecha, que se recusa a participar da vida humana. A maior solidão é a do homem encerrado em si mesmo, no absoluto de si mesmo, o que não dá a quem pede o que ele pode dar de amor, de amizade, de socorro. O maior solitário é o que tem medo de amar, o que tem medo de ferir e ferir-se, o ser casto da mulher, do amigo, do povo, do mundo. Esse queima como uma lâmpada triste, cujo reflexo entristece também tudo em torno. Ele é a angústia do mundo que o reflete. Ele é o que se recusa às verdadeiras fontes de emoção, as que são o patrimônio de todos, e, encerrado em seu duro privilégio, semeia pedras do alto de sua fria e desolada torre.
O choro
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Hoje foi o primeiro dia da minha sobrinha Leonor, de quatro meses e alguns dias, na creche. Foi para o mesmo infantário que o Afonso, o irmão, agora com dezanove meses. Ficou na sala ao lado da dele, com vários outros bébés. E o Afonso, que se farta de brincar e que não liga ao choro das outras crianças, esta manhã - ou tarde, não sei bem! - ouviu a Leonor a chorar, reconheceu o choro e pendurou-se na cancela da sala dele, a chorar e a chamar pela 'néné', como ele a apelida. Só parou de chorar quando pegaram na Leonor ao colo e ela se calou. E só sossegou quando lhe abriram a cancela e o deixaram ir fazer um mimo na 'néné'.