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Earphones, please...e teletransporte intergaláctico!

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Destes é que eu precisava...a ver se consigo trabalhar em paz! Um dos problemas de se trabalhar num sítio com muitas mulheres (e, sim, infelizmente, tenho de falar contra o meu próprio género...!) é que, de vez em quando, há umas alminhas que se saem com cada timbre de voz que dão ouras ao mais comum mortal duro de ouvido! Para mal dos meus pecados - e que hão-de ser muitos, a julgar pelo castigo! -, ainda por cima têm quase sempre o botão do volume avariado, problema que, na minha opinião, já deve vir de fábrica...e se eu ainda aguento a converseta sobre malas de senhora, verniz de unhas e afins, já o tema 'implantes mamários' me causa arrepios, alguns dos quais de irritação. A acrescer a isto tudo, os técnicos de ar condicionado andam por aí a fazer testes, como se não fosse suposto terem entregue a obra há semanas, e está um frio invernal no gabinete porque só fazem os testes com o sistema ligado...! Nem consigo pensar com o frio que aqui est...

Flor do almoço

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Ontem.

Haja paciência...!

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(imagem retirada da net) Ter um gabinete novo é óptimo...! Mas tentar estar concentrada e sentada a trabalhar quando, de dez em dez minutos, me tenho de levantar da cadeira para carregar no interruptor de parede que liga a luz é surreal. Tudo porque, juntamente com o prédio novo, herdámos um sensor de movimento em cada gabinete que desliga constantemente a luz a quem se encontra a trabalhar: o sensor está mal posicionado e ainda não se arranjou quem cá venha desligar o estupor da célula. Ainda por cima, é um atentado ambiental: as lâmpadas são economizadoras e o arranque - que é constante - é o que causa maior dispêndio de energia! Já ameacei pegar numa vassoura e desligar eu a dita célula. Porque o meu sensor de irritação começa a olhar ameaçadoramente para a célula. E já não falta muito...não, que não! 

Grow...ou de como as sementeiras do IKEA são estupidamente fáceis!

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(Anna Garforth, retirada do mural da Facebook da design-dautore.com) Há já uns tempos que comprei, no Ikea, uns copinhos de cartão, em número de três, onde se apregoava virem a nascer várias ervas aromáticas, a saber: manjericão, salsa e tomilho. Por falta de tempo, foram ficando lá por casa...até que, no sábado, me decidi a semear as ditas ervas.

Still thinking of winter

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Vasco Graça Moura

Venci um preconceito que não sei de onde vinha, talvez da imagem política que me passava, na noite em que o vi e ouvi pela primeira vez nas Quintas de Leitura. No momento em que leu 'canção da foz do douro', Vasco Graça Moura venceu todo e qualquer preconceito, barreira ou ideia feita que em mim houvesse. Não havia terminado de recitar a primeira estrofe e já eu tinha lágrimas de emoção nos olhos. Os sons, os cheiros, as pedras de que falava neste poema encheram de sentido toda a minha adolescência, toda a minha vida. A fotografia que tinha atrás de si enquanto recitou era do chão da Cantareira, daquelas pedras que tantos passos meus viram, tantos anos. Entendi-lhe no olhar que essas mesmas pedras lhe ouviram muitas confissões e traquinices. Saí das Quintas e comprei vários livros dele que li sofregamente. Trouxe-me imensas coisas vencer o preconceito. Recordarei sempre essa noite. Nem que seja apenas por esse momento ou tão-só por este poema, esta c...

canção da foz do douro

foz do douro: vem cá, melancolia, a lembrar prosas de raul brandão, de gente, areia e barcos, na sombria humidade do dia e humildade no chão: palmeiras desgrenhadas, ventania, e o castelo de d. sebastião onde as gaivotas têm cidadania. na cantareira haviafome e havia ... um cheiro de sardinha, um cheiro a pão, e uma mulher de luto repetia na voz que lhe fugia o naufrágio do irmão, do filho ou do marido, a freguesia tem por antigo orago s. joão e era perto da igreja que eu vivia, longe dos pescadores e todavia tão perto deles todos, sendo tão miúdo de colégio e burguesia que até opa vestia na páscoa da paixão. hoje há folhas no vento, a homilia é de outono e distância e solidão e em névoa a foz parece que avaria. olhar o cabedelo! quem sabia que muita criadita havia então que na língua de areia se despia e na espuma emergia, ninfa de ocasião? ou pedalar na infância até onde ia uma imprudência usada sem travão e que o mercúrio-cromo traduzia! nas calçadas modestas sempre ouvia quem por...

New bag for me on the way

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Dias ausentes

São dias embrutecidos estes. Trabalho. Trabalho. Trabalho. E quando chego à noite a casa, abuso: e trabalho. Sinto-me cansada, afogada, a arrastar-me. Sem tempo. Sem disposição. Para tricotar. Costurar. Tocar flauta. Dançar. Fotografar. Até para ler. E mesmo para dormir. Sinto falta de mim.

James Blake - Retrograde

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Vivian Maier, a mulher que falava por imagens

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As imagens são absolutamente impressionantes. Os jogos de luz e de sombra fantásticos. Não há uma de que não goste. A história belíssima de uma mulher singular, contada em imagens. Vejam aqui .

O concerto desta noite

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E, agora, pés ao caminho: para dançar dançar dançar...! Bom fim de semana a todos!

Três

Três ruivas de olhos claros. Três pequenas maravilhas: a massagem, a acupunctura e o jantar vegetariano. Estou como nova. Foi como se o mundo saísse das minhas costas. Que fim de tarde e princípio de noite...! E que belo aperitivo para uma noite bem dormida.

Ontem foi uma longa noite de dança...!

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Obrigada, Suzete, pelo cartaz...! :)

Yarn leftovers...

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...turned into a nice easter gift.

Primeiras palavras

Pela primeira vez, a minha sobrinha Leonor, com os seus dezanove meses, chamou o meu nome quando me viu entrar em casa dela. Claro que não sabe pronunciar bem mas foi claramente o meu nome. Tão gira! 

Purgatório - Tomás Eloy Martínez

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Lembro-me da alegria que senti quando o vi nas prateleiras da livraria que existe no Centro Cultural de Belém. Era um fim de tarde simpático em Lisboa. Fomos dançar e estar com os amigos. Vimos a Colecção Berardo, antes de irmos aos pastéis de Belém, que eu não comi porque - batam-me lá! - não sou apreciadora.  Não tem sido muito fácil mas lá vou encontrando os livros dele, traduzidos ou não. Confesso que gostava de os ler em castelhano mas não tenho tido a sorte de encontrar nenhum. Guardei-o ali na estante. Até ter tempo e vontade de o ler de uma assentada. Porque os livros de Tomás Eloy Martínez são saboreados com a volúpia desenfreada do fim. E este é fantástico. Como os outros que li. Tão bem escrito, mas tão bem escrito. Como todos. E o que mais me impressiona é a capacidade deste escritor de vestir a pele de uma mulher. É um mapa que se perde nas recordações e na memória de uma mulher, em plena ditadura militar argentina, com uma teia fa...

Logo à noite, dança-se em Lisboa!

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Avó

A MINHA AVÓ ERA UMA MULHER DO CAMPO. Passou a mocidade e a vida adulta a trabalhar no campo, na terra. Chamava-se Joaquina Pulguinhas. A minha avó escrevia cartas muito devagarinho. Com letra tremida, escrevia o nome dos netos nos embrulhos dos presentes. Em casa, viúva, reforma de trinta contos, sozinha, começou a ler livros. Não sei quanto tempo demorava a lê-los, mas sei que os lia com o esforço da atenção, palavra a palavra. Gaivotas em Terra , de David Mourão-Ferreira, foi o livro que a minha avó deixou a meio quando morreu. Na verdade, deixou-o a meio alguns meses antes, quando deixou de reconhecer as pessoas, quando começou a dizer frases sem sentido. Assinalado por um marcador, esse livro permaneceu durante meses sem que ninguém lhe mexesse, ao lado da sua cama. Foi aí que o voltámos a encontrar quando entrámos nessa casa, onde ainda estavam todas as suas coisas, mas onde nunca mais estaria a sua presença. Imagino agora as palavras desses contos a entrarem na minha avó...